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Calou Alto

Estão dizendo que a fala do Presidente da República, capturada pelo gravador do Joesley Batista, não o incriminaria como a imprensa tanto alardeou.  Falam, inclusive, numa conspiração para derrubar o governo Temer. Teria sido um entrapment genial, digno de roteiro de Hollywood. De fato, a fala do presidente, no que tange à entrega do dinheiro para Eduardo Cunha, não nos autoriza a concluir nada categoricamente.  Mas infinitamente pior do que Temer falou, foi o que ele calou.

Quando Joesley Batista fala de movimentos e infiltração de procuradores e juízes para minar a Lava Jato, o Presidente se cala cavernosamente. E o pior: não toma nenhuma providência à posteriori. É gravíssimo, um Presidente da República ouvindo taciturnamente, na calada da noite, um criminoso descrever tramas urdidas contra a ação da Justiça. Esse silêncio, e a inércia presidencial que a ele se seguiu, são extremamente comprometedores.
Trata-se  do supremo mandatário do país, o homem que se dispõe a operar, a toque de caixa, reformas estruturais (que são necessárias) na previdência e nas relações trabalhistas.

Dá para confiar nele como condutor de reformas estruturais no Brasil?

Em Tempo:

Não é à toa que o Juiz Sérgio Moro tem defendido, sábia e ferrenhamente, a manutenção das prisões preventivas a todo custo, em razão das reações dos “investigados poderosíssimos” que a Lava Jato vem alvejando.
E bota poderoso nisso…

Não se faz outra coisa hoje em dia em Brasilia que não seja tentar escapar da cadeia.  Cada ato, de cada autoridade, encerra o indisfarçável instinto do “boi ladrão”.

Jorge Pontes é Delegado de Polícia Federal e foi Diretor da Interpol

O Inalienável é um veículo que não aceita dinheiro público e que preza pela ética e transparência.

3 respostas para “Calou Alto”

  1. O silêncio do conspirado é também uma conspiração. Assim temos uma conspiração dupla, feita por ambas as partes. Quanto à conspiração de Joesley, ela pode ter sido construída em parceria com outros conspiradores.

  2. Se trata de uma República de Podridos, sem perspectiva de quadros dignos, e quantitativos, para curar essa metástese.

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