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Pensando bem… O Brasil é o país do futuro.

“Quando muita gente insiste muito tempo que você está errado, você está certo, ”dizia Millôr Fernandes. Nos comentários do artigo “O Brasil não tem futuro. Vá embora enquanto é tempo”,  não faltaram elogios, dúvidas, críticas e xingamentos. O alívio veio das opiniões contrárias.

Acusações de covardia, afirmações de que verdadeiros patriotas não deixam o Brasil (esses só leram o título), que devemos “lutar” por mudança e até sobre derrotismo (esses nem o título). Os mais agressivos deixaram pão e mortadela nos teclados enquanto acusavam o artigo de golpista e preconceituoso.

O mestre Millôr também dizia que “quando uma ideologia fica bem velhinha ela vem morar no Brasil”. Pode ser. Já amnésia voluntária, conformismo, raciocínio passional e hipocrisia deve ser patente nossa. Deturpações lunáticas de texto à parte, o que surpreende é a ‘astúcia reversa’ dos mais raivosos ao hierarquizar os valores sobrevivência, felicidade e patriotismo. Numa espécie de crise histriônica, elevam a Pátria à uma esfera mais vital que a própria sobrevivência, como se um cadáver na Baixada Fluminense fosse feliz jazido com a camisa verde e amarela do Neymar. Assistir muito Walking Dead da nisso.

Desconsiderando os comentários antidemocráticos dos democratas, os mais hostis contra a ideia de ir embora do Brasil, além de não aceitar opiniões diferentes, querem arbitrar a magnífica ideia de que, mais importante que conquistar saúde e felicidade, é perder saúde e felicidade, de preferência lutando pela moralidade de um território sem educação e ciência que há cinco séculos se especializou em auto desmoralização. Quantas gerações levaram para o túmulo a ‘esperança’ de um Brasil melhor?

Quem citou a Lava Jato como um marco para a mudança, saiba que a Itália piorou após a Operação Mãos Limpas. Um fracasso que criou corruptos mais sofisticados!

Conceitos bisonhos de otimismo à parte, o que seria a esperança senão a mais cristalina ignorância? Se a esperança é antônima de alegria e sinônimo de impotência – afinal, só espera quem não é capaz de fazer acontecer – até quando esperar uma Nação decente? Se a esperança e o temor são dois lados da mesma moeda (esperar o sol é temer a chuva) configurando a incerteza do real, qual o sentido de esperar que no futuro tenhamos o que necessitamos ‘hoje’ para ter alegria? Quanto mais se sabe das coisas, menos se teme e menos se espera. O Brasil é pura incerteza e ignorância; por isso tanta esperança, temor e impotência.

Transpirar cinco meses de impostos para sustentar uma rede sistêmica de corrupção como um kamikaze japonês da segunda guerra agarrado à ‘esperança’ de uma utopia passional infundada, ainda deve representar pouco para os patriotas de whatsapp e sofá. Qual o problema de viver roubado em cada compra e dependente da piedade de criminosos, se basta ligar no Jornal Nacional para restaurar a dose diária de manipulação que mantém o escravo amante de seus grilhões? “Se quer prever o futuro, estuda o passado”, diria Confúcio.

Uma das características de países subdesenvolvidos como o Brasil é a contínua busca por bodes expiatórios para explicar frustrações internas históricas e até então imutáveis. Alguém com sobrenome alemão criticou o artigo. Seus ancestrais imigraram para o Brasil fugindo de guerras, violência, crimes bárbaros, do holocausto, da fome, frio e injustiças sociais da época. Muitos dos que ficaram na Alemanha para ‘lutar’, pereceram. Os que vieram para se salvar estavam errados? Deram um exemplo de derrotismo? Ou apenas buscaram sobrevivência e um pouco de dignidade? Deveriam ter ficado para serem dignamente humilhados? Ou morrer como muitos estão morrendo neste Brasil que agoniza em corrupção, violência e… esperança? “Quando o populacho se mete a raciocinar, tudo está perdido”, diria Voltaire.

Com a palavra, a filósofa Any Rand:

“Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada (Estado); quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos por influência, mais que pelo trabalho, e que as Leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber […] que a honestidade se converte em autossacrifício, então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada”.

Os maiores perigos para a liberdade escondem-se na influência insidiosa de homens devotados, aparentemente bem-intencionados, mas desprovidos de empatia. Hoje no Brasil há uma grande demanda por pessoas que fazem o errado parecer certo, e o certo parecer errado, ao ponto de criticarem quem defende a sobrevivência e a qualidade de vida das pessoas, em detrimento de uma nação subdesenvolvida em todos os aspectos. Enquanto a marmita de um presidiário brasileiro é completa, nas escolas come-se sopa rala. Enquanto o auxílio reclusão fornece R$1.089,72 a um presidiário estuprador, um trabalhador honesto ganha um salário mínimo de R$937,00. O Brasil não tem solução porque ser honesto dá prejuízo.

A propósito, o STF assinou a nova Lei da Magistratura, que prevê mais dinheiro e benefícios para juízes, procuradores e promotores, que já comem 1,3% do PIB. Soltaram José Dirceu, desidrataram a Lava Jato, e a nefasta Rede Globo quer reeleger Lula presidente. No Rio, o assassino do menino João Hélio vive protegido pelo Estado a pedido de uma ONG, enquanto a família da vítima não recebeu uma visita. No Espírito Santo já são 12 mil crimes em quatro meses, enquanto o governador Paulo Hartung se configura como o pior gestor da história. O Congresso aprovou um fundo partidário de R$3,6 bilhões! Já o bebê Arthur, no Rio, foi baleado ainda no útero da mãe, onde ficou paraplégico. Morreu um mês depois sem sentir o sabor do leite materno.

Uma boa sugestão aos patriotas populachos que validam trocar saúde por luta é que experimentem a dor dos pais de Arthur, ou que tenham a coragem de os convidar a lutar.

Enquanto os custos da transgressão no Brasil forem tão baratos, lutar é perder saúde e enxugar gelo. Pensando bem, os críticos do primeiro artigo têm razão. O Brasil é o país do futuro e da esperança. Ou você segue esperando, ou vá embora enquanto é tempo. Quem sabe no futuro, em caso de milagre, valha a pena voltar.

Rodrigo Batalha é escritor e especialista em neurociência aplicada ao comportamento, controle do medo e alto desempenho – Dicas para mudanças pessoais e profissionais no Instagram e Youtube

7 respostas para “Pensando bem… O Brasil é o país do futuro.”

  1. Fantástico!
    A definição de loucura é fazer as coisas do mesmo jeito e esperar resultados diferentes. Somente os ladrões (que precisam de escravos) e os imbecis podem criticar seu artigo.
    Numa democracia, os idiotas se multiplicam ao seu máximo e zurram pelos cotovelos o que seus intestinos “pensam”. Bom para eles, péssimo pra quem pensa de verdade.

    Patriotismo, no Brasil, é torcer pela seleção na Copa do Mundo… Brasileiro quer carteira de trabalho (criada por MUSSOLINI, o grande fascista) mas topa qualquer emprego nos Estados Unidos sem este lixo de CLT.

    Triste, muito triste, mas tenho que concordar com seu texto na íntegra. “O preço da verdade é a eterna solidão”: quem enxerga o que os ignorantes não viram ou não querem ver, sofre num mundo solitário onde raramente se encontra companhia.

    Quem não houve a música, acha que quem dança é maluco…

  2. Fantástico!
    A definição de loucura é fazer as coisas do mesmo jeito e esperar resultados diferentes. Somente os ladrões (que precisam de escravos) e os imbecis podem criticar seu artigo.
    Numa democracia, os idiotas se multiplicam ao seu máximo e zurram pelos cotovelos o que seus intestinos “pensam”. Bom para eles, péssimo pra quem pensa de verdade.

    Patriotismo, no Brasil, é torcer pela seleção na Copa do Mundo… Brasileiro quer carteira de trabalho (criada por MUSSOLINI, o grande fascista) mas topa qualquer emprego nos Estados Unidos sem este lixo de CLT.

    Triste, muito triste, mas tenho que concordar com seu texto na íntegra. “O preço da verdade é a eterna solidão”: quem enxerga o que os ignorantes não viram ou não querem ver, sofre num mundo solitário onde raramente se encontra companhia.

    Quem não houve a música, acha que quem dança é maluco…

  3. Caro Rodrigo, bom dia. Mais uma vez produziu um texto muito adequado ao cenário brasileiro atual (diria destes últimos dez anos). Parabens pela ousadia e inteligência em nos mostrar didaticamente, a cada texto, como a “classe” política nos mantém sem efetiva reação a seus atos ilegais, imorais e desumanos. Por favor continue, pois esta lucidez é nosso facho de luz em tamanha escuridão. Abraços

  4. Saí do Brasil em 2005. Arrependo-me e muito de não ter saído antes desta lambança. Perdi minha adolescência e juventude nessa nojeira. Se vc é pai e ama seus filhos, leve-os embora daí. O Brasil e esse povinho corrupto e ignorante não merece pessoas de bom caráter.

  5. Cara, a esse povo do “ficar para lutar e melhorar o país” que tanto se manifestou no post passado: será que 500 anos, sendo 200 de independente, não foram suficientes para demonstrar que esse país NÃO TEM JEITO? Que qualquer “luta” é vã.
    “Ficar para melhorar o país, lutar como cidadão para o melhor”…bla bla bla..que lindo! Será que em 500 anos ninguém nunca pensou e tentou fazer isso? Fiquem aí e lutem pelo melhor. Se alguém conseguir virar o salvador da patria e esse país melhorar nos avise que a gente vola, kkkk

    Assumir querer ficar por gostar desse inferno, por ter familiares ou ser apegado a alguma coisa, ou mesmo por comodismo, é muito mais louvável do que esse discurso do “ficar pra lutar por melhorias”,

    Se tem filhos, mais um motivo para vazar. Eles não verão o resultado da sua “luta por um país melhor”. Nem seus netos. Tens coragem de ficar lutando por um país melhor enquanto sua filha corre o risco mal ao sair para escola de ser raptada e estuprada?

    Vejo também muitos brasileiros colocando Portugal como bode expiatorio. Falácia total. Primeiro porque se os portugueses tem em seu DNA essa cultura tão depravadora, por que os portugueses não estão atualmente entre os povos mais corruptos do mundo? Então por que Portugal é um país desenvolvido? Visitem Lisboa, Porto e Braga e vejam o exemplo de organização urbana, a maravilha das autoestradas portuguesas, o sistema de transporte eficiente e organizado, e as cidades limpíssimas.
    A história desmistifica essa “culpa da colonização”. O Brasil teve 200 anos de independência e não se resolveu. Ao contrário do que se pensa o Canadá e Austrália tiveram uma colonização marcada por exploração e seus primeiros habitantes tinham origem penal. O Chile aqui do lado foi colonizado pela ibérica Espanha e é país desenvolvido.
    Aceitar doi menos.
    Sempre falo a qualquer um: quem puder, saia desse inferno enquanto ainda há tempo. Quem não puder ou quiser eu respeito, mas não esses que se utilizam dessa falácia de “ficar para melhorar o país”

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